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Introdução
As micotoxinas são produzidas por bolores e são muito tóxicas para animais, plantas e o homem. A patologia específica causada e a interferência do metabolismo são específicas para a estrutura da micotoxina individual. Atualmente, foram identificadas cerca de 300 micotoxinas diferentes e dados das Nações Unidas mostraram que as micotoxinas estão presentes em mais de 30% dos cereais produzidos mundialmente.
O importante desafio na avaliação de problemas de micotoxinas é que não é fácil detectar a presença de micotoxinas em ração para animais que comprometa o desempenho ou provoque doenças. A amostragem inadequada da ração é o fator mais comum que determina a variabilidade na análise de micotoxinas. As micotoxinas não estão distribuídas de maneira uniforme em uma partida de ração/alimento, e estão mais concentradas em áreas com umidade mais elevada e/ou com níveis mais altos de oxigênio. Assim, na maioria dos casos as amostras de ração são coletadas apenas em uma pequena parte do container ou partida, que não é representativa da partida toda. Nestes casos, a análise de micotoxina poderia ser negativa ou francamente positiva dependendo do ponto em que a amostra foi coletada. Além disso, na maioria das situações comerciais quando as micotoxicoses são observadas ou suspeitadas, os animais já consumiram toda a ração e não sobraram amostras para análise. Em situações de campo, por outro lado, normalmente há mais do que uma micotoxina presente na ração. Como a análise geralmente é feita para determinar a presença de uma micotoxina em particular, a análise pode indicar níveis mais baixos de micotoxinas. As micotoxinas atuam juntas, de forma sinérgica, para promover seus efeitos deletérios, e por isso um resultado de baixo teor de uma micotoxina pode ser enganoso.
O crescimento dos fungos pode ocorrer em diferentes fases da produção vegetal e animal. Assim, por exemplo, podem invadir as sementes antes da colheita, enquanto a cultura ainda está no campo, ou podem crescer durante a armazenagem na fábrica de ração ou na fazenda. Também podem crescer durante o processamento da ração quando o misturador aumenta a temperatura e a umidade da ração. Além disso, o crescimento de fungos e os problemas de micotoxina também poderiam ocorrer em comedouros que não foram limpos de forma adequada.
Na realidade, as perdas resultantes do crescimento fúngico podem ser devidas a um dano físico sofrido pelo grão, perdas na qualidade nutricional dos grãos e a produção de toxinas pelos fungos. A atividade metabólica dos fungos está associada à respiração aeróbica, de forma que a deterioração do grão é uma reação da oxidação de gordura e carboidratos na presença de oxigênio, resultando em ácido carbônico, água, calor e estrutura do fungo (Dixon & Hamilton 1981). Além disso, o teor de gordura dos grãos é acentuadamente reduzido em grãos infectados pelos fungos e , portanto, as dietas contendo estes grãos terão um teor de gordura mais baixo o que pode aumentar ainda mais os problemas de micotoxicose nos animais, mesmo que as toxinas estejam presentes em níveis baixos.
Quais são os efeitos das micotoxinas sobre a saúde das aves?
Os efeitos das micotoxinas sobre a saúde das aves estão intimamente relacionados com a estrutura destas micotoxinas. As micotoxinas mais importantes encontradas na ração dos animais são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1: Principais micotoxinas encontradas em ração para animais
Micotoxinas |
Fungos |
Aflatoxina B1, B2, G1, G2 |
Aspergillus Penicillium |
Tricotecenos (T2, DON, DAS, nivalenol, etc) |
Fusarium |
Ocratoxina |
Aspergillus Penicillium |
Patulina |
Aspergillus Penicillium |
Zearalenona |
Fusarium |
Citrinina |
Aspergillus Penicillium |
Zearalenona |
Ração materials (*) |
Fumonisina |
Fusarium |
Gliotoxina |
Aspergillus |
Ácido penicílico |
Penicillium |
Moniliformina |
Fusarium |
Ergotamina |
Claviceps |
Ácido ciclopiazônico |
Aspergillus |
Ácido fusárico |
Fusarium |










