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Ocratoxina
A ocratoxina A é a mais importante dentre as ocratoxinas produzidas pelas diversas espécies de Aspergillus (ochraceus) e Penicillum (verrucosum). A citrinina e o ácido oxálico também são produzidos por esses bolores. As ocratoxinas são ubiqüitárias tanto em climas tropicais quanto em climas temperados e são freqüentemente encontradas na aveia, na cevada, no trigo e no milho. Esses fungos têm a capacidade de produzir ocratoxina A (ou simplesmente, "ocratoxina") em níveis de até 10 partes-por-milhão (ppm). Tais níveis raramente são encontrados, mas a ocratoxina é nociva para suínos em níveis muito mais baixos, como 0,2 ppm (Krogh, 1991).

A introdução de ocratoxina na ração de animais de produção monogástricos leva à contaminação de órgãos, gordura, músculos e sangue. Se ingerida por suínos por um período de tempo prolongado, essa micotoxina pode contaminar a maior parte dos tecidos comestíveis e pode produzir uma lesão renal que pode levar à condenação da carcaça. A ocratoxicose aguda (concentrações acima de 5 ppm na dieta) é caracterizada por nefropatia (prejuízo à função renal), enterite, esteatose hepática, necrose de linfonodos e imunossupressão, juntamente com uma variedade de outras condições patológicas. Nos casos agudos, pode haver morte por insuficiência renal aguda. O interesse nessa micotoxina tem enfocado na natureza carcinogênica do composto, já que ele pode se acumular na carne de animais e causar problemas à saúde humana. Na verdade, na Dinamarca se usam os níveis de ocratoxina nos rins como indicador para mensurar resíduos potencialmente nocivos nos produtos à base de carne suína. A ocratoxicose é diagnosticada pelos sinais clínicos e pelos achados post-mortem e é confirmada pela identificação da toxina na ração ou nos rins dos animais ao abate.

Os suínos são bastante susceptíveis à contaminação devido à meia-vida sérica relativamente longa da toxina, de 72-120 horas. Em levantamentos recentes detectaram-se ocratoxinas como contaminante natural no sangue de suínos no Canadá, bem como em muitos países europeus, incluindo Alemanha, Noruega, Polônia, Suécia e antiga Iugoslávia. Adicionalmente, já foi detectada ocratoxina nos rins de suínos nos EUA, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Polônia, Suíça, Reino Unido e antiga Iugoslávia.

Resíduos de ocratoxina em produtos de origem animal são transmissíveis aos consumidores, e autoridades governamentais de alguns países criaram medidas rigorosas para mitigar as preocupações dos consumidores em relação aos produtos à base de carne suína. Na Europa, por exemplo, em 1997 foi estabelecida uma tolerância máxima para ocratoxina de 5 partes-por-bilhão (ppb) para todos os alimentos, e na Alemanha esse limite máximo é de 3 ppb. Na Dinamarca, toda a carcaça suína é considerada contaminada e condenada se forem detectados no sangue 25 µg/mL de ocratoxina.

Efeitos clínicos:
Os principais sintomas da intoxicação por ocratoxina incluem a redução na taxa de ganho de peso e na eficiência alimentar. Pode haver lesão hepática, mas as principais alterações são observadas nos rins onde ocorre uma fibrose intersticial. Essa síndrome é caracterizada pelo aumento no consumo de água (polidipsia) e no débito urinário (poliúria). Em animais jovens em crescimento pode haver edema peri-renal com um enrijecimento generalizado. A presença de úlceras gástricas também é um achado freqüente. A qualidade do sêmen em cachaços é reduzida afetando a taxa de fertilização e o desempenho reprodutivo.

Os sinais clínicos da intoxicação por ocratoxina incluem:


  • Redução no desempenho (consumo de ração, taxa de crescimento, eficiência de conversão alimentar)
  • Rins pálidos e aumentados = degeneração tubular, fibrose intersticial
  • Função renal prejudicada = hiperproteinemia, azotemia
  • Insuficiência renal = mortalidade
  • Aumento no consumo de água (polidipsia) e no débito urinário (poliúria)
  • Supressão da imunidade celular = maior susceptibilidade a infecções
  • Redução na qualidade de sêmen do cachaço = redução na taxa de fertilização = desempenho reprodutivo
  • Edema em leitões = dorso arqueado e enrijecido, andadura difícil
  • Úlceras gástricas
Nível de Intervenção
Os níveis dietéticos de ocratoxina na ração de suínos não deveriam exceder 50 ppb. Resíduos nos produtos à base de carne suína constituem um risco à saúde humana, mas nesses níveis, os problemas são mínimos. Quando combinadas com outras micotoxinas, as ocratoxinas podem suprimir a imunocompetência de suínos.


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