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Micotoxinas na Suinocultura
Os sintomas exibidos pelos animais e o grau de acometimento devido à toxicidade das micotoxinas é bastante influenciado pelo tipo de micotoxina envolvida e por sua concentração na ração, bem como pela idade e categoria dos animais. Suínos jovens ou em reprodução costumam ser mais susceptíveis a micotoxinas.

Deve-se considerar também que combinações de determinadas micotoxinas podem produzir mais efeitos negativos sobre o desempenho, além daqueles esperados para os níveis de cada uma das micotoxinas avaliadas individualmente. (Tabela 1)

Tabela 1. Níveis Máximos Tolerados para as micotoxinas mais freqüentemente encontradas nas rações de Suínos

Micotoxina

Nível máximo tolerável

Comentários

Aflatoxinas (B1, B2, G1, G2)

< 20 ppb para uso humano, ração de vacas leiteiras, ração para animais imaturos

< 100 ppb para suínos em reprodução

< 200 ppb para suínos em terminação (>54 kg peso vivo)

Carcinogenicidade. Imunossupressão.
Sinais agudos: anorexia, depressão, ataxia, epistaxe.
Sinais crônicos: redução na eficiência alimentar, redução na produção de leite, icterícia e redução no apetite.

Zearalenona

< 1 ppm para suínos jovens em crescimento

< 2 ppm para o plantel reprodutivo

< 3 ppm para suínos em terminação e cachaços jovens e velhos.

Efeitos estrogênicos. Edema de vulva, prolapsos retais ou vaginais em marrãs pré-púberes. Aumento de tamanho, edema ou torção uterina, redução no tamanho dos ovários. Em cachaços, atrofia testicular, aumento de tamanho das glândulas mamárias e redução na fertilidade.

Deoxinivalenol (vomitoxina)

< 5 ppm nos grãos e seus subprodutos. Matérias-primas para ração contaminadas com DON não devem exceder 20% da dieta. (< 1 ppm em rações completas)

A redução no consumo de ração e no ganho de peso são inversamente proporcionais à concentração de DON. Concentrações elevadas causam uma maior recusa do alimento e vômitos.

Toxina T-2

< 1 ppm

Agente imunossupressor potente que afeta diretamente as células de defesa e modifica a resposta imune como consequência da lesão em outros tecidos. Defecação freqüente, vômitos, perda de peso e recusa do alimento.

Fumonisina

Não estabelecido

< 5 ppm (extrapolado de dados de eqüinos)

Carcinogenicidade em provas laboratoriais com ratos. Associada a edema pulmonar em suínos.

Ocratoxina

< 200 ppb foi associada a lesão renal em suínos

A ocratoxina A é a mais comum e a mais potente.
Redução no crescimento, na eficiência alimentar, aumento na mortalidade e lesão hepática e renal.

Ergot

< 200 ppb

Tontura, cambaleios, convulsões, paralisia posterior temporária e finalmente morte. Diminuição no suprimento de sangue periférico. Redução no crescimento, perda da cauda e redução na eficiência reprodutiva das porcas.

Adaptado pelo "Feedstuffs Reference Issue" (1997)

O desenvolvimento de novos sistemas de arraçoamento e alojamento criou uma nova dimensão para o controle de micotoxinas na suinocultura. A exposição a micotoxinas pode ocorrer tanto nos sistemas de arraçoamento com dietas secas quanto úmidas, mas principalmente nas úmidas devido à dificuldade de limpeza das longas linhas de distribuição. Sistemas de criação que consideram o bem estar dos animais costumam utilizar camas de palha, que constituem um risco adicional principalmente quando as porcas são alojadas em grupo. As micotoxinas causam uma supressão no sistema imune dos suínos, o que pode levar a uma redução na resistência dos animais a doenças infecciosas, reagudização de infecções crônicas e/ou redução na eficiência de vacinas e medicamentos.

Dentre os sintomas comumente associados a micotoxicoses incluem-se:

  • Redução no consumo de alimento
  • Piora na taxa de ganho de peso
  • Diminuição na eficiência de conversão alimentar
  • Aumento na incidência de doenças
  • Redução na imunidade
  • Vômitos
  • Prolapso de reto/vagina
  • Morte súbita
  • Animais fracos / pálidos
  • Fezes sangüinolentas
  • Redução na produtividade das porcas
  • Abortos
  • Aumento na reabsorção fetal = retorno ao estro
  • Inconsistência no escore corporal das porcas
  • Atraso na puberdade de marrãs e cachaços
  • Redução na libido
  • Piora na qualidade do sêmen = redução na fertilidade
  • Maior incidência de doenças renais e/ou hepáticas
Um resumo dos diferentes fungos, suas micotoxinas e seu efeito em suínos é apresentado na Table 2.

Tabela 2. Micotoxinas comuns e seus efeitos em suínos

Fungo

Micotoxina

Sistema afetado

Aspergillus flavus

Aflatoxina B1, B2, G1, G2

Necrose hepática, infiltração gordurosa no fígado, imunossupressão

Aspergillus ochraceus catum

Ocratoxina A

Nefropatia, imunossupressão

Fusarium moniliforme

Fumonisina
Ácido fusárico

Edema pulmonar, imunossupressão
Vômitos, letargia, perda de massa muscular

Fusarium graminearum

Deoxinivalenol (DON, Vomitoxina etc.)

Vômitos, lesões intestinais, imunossupressão

Fusarium roseum

Fusarium verticillioides
Fusarium proliferatum

Hiperestrogenismo, aborto, infertilidade, prolapsos, ulcerações

Claviceps purpurea

Ergotoxina

Redução no apetite, gangrena, agalactia, lesões à glândula mamária

(Smith et al., 2005)

 

Alimentação líquida

Sistemas de arraçoamento com ração úmida ou líquida podem tornar-se um desafio considerável para a suinocultura em termos de micotoxinas. É importante utilizar procedimentos rigorosos de higiene para minimizar a presença de micotoxinas dentro dos tanques de mistura, linhas de ração e comedouros. Apesar de haver a necessidade de uma limpeza regular, deve-se atentar para o fato de que as micotoxinas são extremamente resilientes e podem sobreviver em biofilmes nas linhas de ração ou no equipamento por períodos de tempo significativos. Também é importante não reciclar a água contendo resíduos após a limpeza, já que isso poderia acarretar a reintrodução das micotoxinas no sistema.


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