Diagnóstico > Eqüinos
A festuca é uma gramínea, normalmente bastante resistente. A planta pode ser infectada por fungos endofíticos, que então produzem alcalóides do ergot (ergopeptinas). Como os cavalos não possuem o mecanismo pré-gástrico de metabolização de alcalóides como os ruminantes, são mais suscetíveis aos efeitos destes alcalóides quando consomem patos contaminados por fungos endofíticos. Os cavalos que apresentam intoxicação por endófitos de festuca podem apresentar apetite reduzido, perda de peso/condição corporal, piora de desempenho, pelagem áspera e temperatura elevada.
Os endófitos pode também ter efeitos negativos sobre o sistema reprodutivo de éguas, uma vez que elas são sensíveis a concentrações de alcalóide de apenas 300 – 500 ppb.
Os sintomas comuns de toxicidade por alcalóides do ergot em éguas prenhes são:
- Gestação prolongada, até 12 meses
- Distocia
- Descolamento de placenta
- Edema e espessamento da placenta
- Potros fracos/natimortos, com pneumonia por aspiração
- Dificuldade de rompimento da placenta pelo potro ao nascer
- Falta de desenvolvimento de glândulas mamárias durante a gestação
- Natimortos
Éguas em final de gestação devem ser removidas da pastagem de festuca contaminada por endófitos aos 300 dias de gestação. Duas semanas antes da data prevista do parto, as éguas podem ser tratadas com domperidona para reduzir os efeitos da toxicidade por alcalóides do ergot. Éguas em lactação expostas a pasto alto de festuca infectado por endófitos podem secretar teores reduzidos de IgG no leite, o que predispõe os potros a septicemia e pode levar à morte.
Testes de laboratório para detecção de ergovalina (o alcalóide do ergot da toxicidade por festuca) e lolitrem B (o alcalóide do ergot do azevém perene) são amplamente disponíveis para investigação veterinária. Alcalóides do ergot causam vasoconstricção, que pode predispor os eqüinos à laminite - a vasoconstrição pós-capilar eleva a pressão hidrostática capilar e promove o movimento transvascular de fluido, resultando em maior pressão nos tecidos, edema, colapso vascular e isquemia (Cross, 1997).
Neotyphodium coenophialum é um fungo endofíticos que causa toxicidade por festuca ao produzir alcalóides do ergot e completa seu ciclo vital na planta. N.coenophalium causa distocia em éguas e morte perinatal dos potros.
As micotoxinas tremorgênicas do azevém causam a paralisia ou “staggers” em cavalos. Este endófito prolifera em condições de clima quente e seco, seguido por períodos de chuva. Os sintomas da paralisia do azevém incluem ataxia, meneios de cabeça, perda de coordenação motora e colapso. O cavalo que está em pé quieto pode apresentar uma reação exagerada se estimulado ou assustado. Felizmente, os efeitos neurológicos são aparentemente temporários e desaparecem em uma semana quando o cavalo é removido da pastagem contaminada.
Os endófitos podem ser transmitidos de uma geração para outra de plantas através das sementes. É importante ter certeza de que as sementes estão livres de contaminação por endófitos antes da semeadura das pastagens a serem utilizadas para cavalos.
Nível de intervenção
Acredita-se que o nível máximo de ergovalina tolerado por cavalos seja de 0,3 – 0 5 ppm. Não existem testes padronizados para os demais alcalóides ergopeptínicos.





