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Aflatoxinas

As aflatoxinas causam problemas em condições de clima quente e úmido e podem ser produzidas por algumas espécies de fungos Aspergillus em temperaturas superiores a 21°C e em níveis de umidade superiores a 14%. Embora as aflatoxinas não sejam consideradas um grande problema em regiões mais frias ou temperadas, deve-se ter cuidado ao usar ingredientes tais como milho, soja, oleaginosas e outros grãos importados de países de clima tropical.

 

Aflatoxinas são derivados de difuranocumarina produzidos por muitas cepas de Aspergillus parasiticus e Aspergillus flavus. As aflatoxinas B1, B2, G1 e G2 são os únicos compostos de ocorrência natural e a aflatoxina B1 é a mais comum e de maior atividade biológica. As aflatoxinas são encontradas em ingredientes tais como milho, tanto no campo quanto durante a armazenagem. As culturas, entretanto, podem ser contaminadas por aflatoxinas ainda no campo, quando as condições ambientais são favoráveis.

 

A biotransformação de AFB1 em AFB1-2, 3-epóxido envolve uma série de reações metabólicas tais como redução, hidroxilação, hidratação e epoxidação. O AFB1-2, 3-epóxido é o metabólito mais reativo e se acredita que seja responsável por mutações somáticas e carcinogênese (Fung e Clark, 2004). As aflatoxinas são prontamente absorvidas do trato gastrointestinal para a corrente sangüínea e se acumulam na maior parte dos tecidos, tais como fígado, rins e depósitos de gordura corporal (Harland e Cardeilhac, 1975). As aflatoxinas absorvidas sofrem biotransformação enzimática através da via do citocromo P-450, produzindo diversos metabólitos e são rapidamente excretadas através da urina e fezes (Sawhney et al., 1973).

 

Embora existam informações limitadas sobre a suscetibilidade de cavalos, pôneis e outros eqüídeos às aflatoxinas, sinais clínicos, sintomas e alterações necroscópicas e histológicas estão resumidos na Tabela 2.


Tabela 2: Resumo de sinais clínicos e alterações necroscópicas e histopatológicas decorrentes da exposição de cavalos à aflatoxina B1.

Idade e estágio de vida do cavalo

Natureza do estudo

Fonte de micotoxina

Níveis de micotoxina

Sinais clínicos, alterações necrocópicas e histológicas

Referências

Garanhão árabe de 15 anos de idade

Relato de caso

Não identificada

58,4% μg/kg

Perda grave de peso, icterícia e anorexia. Fígado aumentado, escuro e firme, hiperplasia de dutos biliares, deposição de hemossiderina e congestão de túbulos renais.

Greene, H. J., e Oeheme, F. W.1976" Clin. Toxicol., 9,25.

Cavalos adultos

Relato de caso

Feno fungado

não disponível

Má condição corporal e congestão ocular bilateral. Cólica antes da morte. Necrose hepática, hiperlasia de dutos biliares, degeneração de túbulos renais e depósitos de gordura no coração.

McGavin, M. D., e Knake, R. 1977, Vet. Pathol., 14, 182.

Garanhão puro sangue inglês de 7 anos de idade

Relato de caso

Milho

300 μg/Kg

Icterícia, depressão, claudicação intermitente e hemorragia subcutânea.

Asquith, R. L., e Edds, G. T. 1981, Proc. Am. Assoc. Equine Pract., 26, 193.

Pônei de 6 meses de idade

Ensaio experimental

Aflatoxina B1 purificada

5 mg/Kg

Aumento de temperatura corporal, freqüência respiratória e cardíaca após administração de aflatoxina.  Animal com letargia, ataxia, decúbito lateral, apresentou convulsões e coma antes da morte.

Asquith, R. L., e Edds, G. T. 1981, Proc. Am. Assoc. Equine Pract., 26, 193.

12 pôneis desmamados

Ensaio experimental

Aflatoxina B1 purificada

5 mg/Kg

Aumento de temperatura corporal, freqüência cardíaca, ataxia, convulsões e sangue nas fezes, cólica e morte.

Asquith, R. L., e Edds, G. T. 1981, Proc. Am. Assoc. Equine Pract., 26, 193.

Pôneis

Ensaio experimental  

Aflatoxina B1 pura

0 a 6 mg/Kg

Aflatoxinas B1 e M1 foram recuperadas em altos teores das fezes e conteúdo gastrointestinal dos animais. Elevação de tempo de protrombina, hematócrito, hemoglobina, hemácias, aspartato aminotransferase e gama glutamiltransferase.  Hemorragias petequiais viscerais e lesões focais, além de hemorragia em vários graus em músculos esqueléticos.

Bortell, R. 1981, Tese de Mestrado, Univ. of Florida, Gainesville.

De Smith e Girish, 2008.

 

As características mais comuns da aflatoxicose em eqüinos são lesões hepáticas e hiperplasia de dutos biliares (Asquith, 1985). Estas podem ser consideradas lesões patognomônicas da aflatoxicose em eqüinos, pois as mesmas alterações macroscópicas e histopatológicas são características da aflatoxicose em outras espécies.

 

O fornecimento de milho infectado em um haras no Arkansas resultou em morte de três cavalos e muitos outros adoeceram. As investigações demonstraram grave necrose hepática sugerindo envolvimento de aflatoxina. Exames da ração demonstraram a presença de diversas colônias de Aspergillus flavus e análises químicas revelaram aflatoxina B1 B2 e M1, resultando em concentração total de aflatoxina de 130µg/kg. Foram observados degeneração e necrose hepatocelular, células gigantes multinucleadas, megalócitos e fibrose periportal difusa.

 

Além disso, os pôneis alimentados com dietas contendo 2ppm de aflatoxina por dia apresentaram elevação dos níveis de enzimas hepáticas, inclusive de GGT (gama glutamil transferase), indicativa de dano hepático. Existem relatos de mortes observadas com exposição de cavalos a níveis muito inferiores, apenas 0,3 ppm.   

 

Em todas as espécies, as aflatoxinas são hepatotóxicas e carcinogênicas, levando à degeneração gordurosa dos hepatócitos, necrose e alteração da função hepática. A supressão da síntese hepática de proteínas é o principal fator resultando em supressão do crescimento. Sabe-se que a aflatoxina também interfere com o metabolismo de vitamina D, contribuindo para a perda de resistência óssea. Ao reduzir a produção de sais biliares, a aflatoxina afeta negativamente a absorção de lipídeos e pigmentos. Além disso, o metabolismo de outros minerais como ferro, fósforo e cobre também é afetado por aflatoxinas.

Os cavalos também podem ser expostos à AFB1 através de inalação, além da ingestão juntamente com alimentos contaminados.

Os sinais clínicos de toxicidade por aflatoxinas compreendem:

  • Perda de peso / inapetência
  • Piora da eficiência de conversão alimentar
  • Imunossupressão e maior suscetibilidade a doenças
  • Redução da fertilidade 
  • Necrose hepática
  • Morte

 

Nível de intervenção

Os níveis máximos de aflatoxina sugeridos para cavalos adultos não devem superar 50 ppb e reprodutores e cavalos atletas e de trabalho deveriam somente receber dietas livres de aflatoxinas. Como outros níveis sugeridos de tolerância sugerem 20 ppb (0,02 ppm), existe uma ampla gama de níveis associados com sintomas clínicos.        




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