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O que são as micotoxinas?
A palavra micotoxina vem do grego "mykes", que significa fungo, e "toxicum" que significa veneno. Casos de ergotismo ou de fogo de Santo Antonio em humanos são descritos na Europa desde a Idade Média. Hoje se sabe que são causados por alcalóides produzidos no centeio pelo fungo Claviceps purpurea. Em 1960, após um surto da doença X dos perus que ocorreu na Inglaterra e a descoberta das aflatoxinas, houve um grande interesse para o campo de pesquisa de micotoxinas (Bullerman, 1979). Desde essa época foram descobertas muitas outras micotoxinas, como tricotecenos, zearalenona, ocratoxinas e fumonisinas
As micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos que crescem em cereais no campo, durante sua colheita e armazenagem. Elas entram no sistema de produção animal através do alimento (concentrado, silagem ou feno) ou da cama. As micotoxinas têm um efeito negativo sobre o desempenho, a saúde e a qualidade dos produtos dos animais. Sendo assim, o controle de micotoxinas é essencial em termos de rentabilidade da produção, bem estar animal, qualidade dos produtos, e segurança alimentar
As micotoxinas são diferentes quimicamente, com representantes em várias famílias e com um peso molecular que varia de 200 a 500 kD. Existem centenas de micotoxinas conhecidas, mais poucas foram extensivamente estudadas, e menos ainda possuem métodos de análise disponíveis. As micotoxinas apresentam uma grande variedade quanto à gravidade de seus efeitos sobre os animais
Há quatro mecanismos primários pelos quais as micotoxinas exercem seus efeitos:
- Redução no consumo ou recusa do alimento
- Alteração no conteúdo da ração em termos de absorção de nutrientes e metabolismo
- Efeitos sobre os sistemas endócrino e exócrino
- Imunossupressão
Para identificar efetivamente uma micotoxicose, é importante ter experiência com animais afetados por essa doença. Essa experiência, combinada com análises adequadas da ração e de tecidos, fornece a base para um diagnóstico mais preciso de micotoxicose
Os fungos crescem produzindo filamentos longos denominados hifas, que são importantes para sua sobrevivência e dispersão. A rede de hifas é responsável pela aglomeração nos grãos de cereais que no armazenamento ou na ração são difíceis de serem separados. Os bolores nos cereais também produzem esporos (conídios) que se dispersam pelo ar, tanto no campo quanto nos silos de armazenagem. Normalmente são essas massas de esporos que dão a coloração característica ao fungo. Os esporos podem permanecer dormentes por meses ou até mesmo anos até que haja condições adequadas para o desenvolvimento dos fungos.





